segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Concordâncias - Teatro


O teatro é uma arte bonita e difícil. Exige que se recomece a cada novo lance .
É ofício de gladiador, trabalho pra sujeito forte. Mesmo que a arena seja a da absoluta delicadeza.
Porque ou o artista está ali, na peleja, agarrando e fazendo luzir o pensamento na hora mesmo que
a cena aconteceu ou...perdeu, irmão.

É cruel, mas boas intenções não valem muito. Pelo contrário, na maioria das vezes o palco tem ojeriza
às almas virtuosas. Porque a cena viva é - sempre é, de alguma forma - um lugar de embate, coisa que só escolhe quem tá pronto pra briga. Por isso as dramaturgias íntimas, os teatros do eu, são enganosos.

Traduzir o mundo nas bordas do umbigo não é tarefa fácil. Nesse caso ou você é um poeta fudido pela vida e muito sensível a ponto de ter aprendido que o entorno existe, que você não está sozinho,
que tem mais gente no jogo, ou vai ver o palco se fechar em copas e dizer "não, obrigado, nos veremos na próxima".

Kil Abreu



sábado, 13 de dezembro de 2014



A menina magrela 
tomou pra si formas 
 de mulher...
ela ainda está por aqui, 
escondida 
nas brincadeiras entre as amigas...
no medo de escuro 
e
pavor de sapo.
A mulher voluptuosa 
carrega consigo
os desejos de ser...
de ser um cavalo-marinho. 


Pryscilla Carvalho - a felicidade é gordinha! =)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A lágrima


Guerra Junqueiro


Manhã de junho ardente. Uma encosta escavada,
Seca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha. 

Sobre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava, 
A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Um lágrima etérea, enorme e cristalina. 
Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la, 
De perto era um diamante e de longe uma estrela.
Passa um rei com seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins trinta pendões ao vento. 
"No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar, 
Há safiras sem conta e brilhantes sem par, 
Há rubis orientais, sangrentos e doirados, 
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados. 
Há pérolas que são gotas de mágoas imensas,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa. 
Pois brilhantes, rubis e pérolas de Ofir, 
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir
Nesta coroa orgulhosa, olímpica, suprema, 
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!"

E a lágrima celeste, ingênua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante. 
E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!
Far-te-ei relampejar, de vitória em vitória, 
Na Terra Santa, à luz da Fé ao sol da Glória!
E a volta há de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro. 
E assim iluminarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!"

E a lágrima celeste, ingênua e luminosa
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa. 

Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho. 
Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.
E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco, 
Vendo a estrela exclamou: "Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!
Com meu oiro de montão podiam-se comprar 
Os impérios dos reis e os navios do mar,
E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!"

E a lágrima celeste, ingênua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:
"A terra onde o lilás e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra
Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.
Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos
Ouvi trinar, gorjear a música dos ninhos.
Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...
Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...
Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água, 
Cai na desolação desta infinita mágoa!"

E a lágrima celeste, ingênua e luminosa
Tremeu, tremeu, tremeu...e caiu silenciosa!...

E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor cor de sangue, 
Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito, 
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...
E ao cálice virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha...


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014


Meus pés apontam na direção em que eu quero ir...

Avante!














Pryscilla Carvalho - eu tenho uma queda pelo mar!

Dizer = Calar


Eu, sinceramente acredito numa coisa chamada
 silêncio...não no silêncio comumente ditos em frases de efeito moral.

Não me importa, o que os outros, tão longe de mim, consideram ao meu respeito, esses nada sabem dos meus desejos e medos, portanto não podem, absolutamente em nada, dizer o que sou.

Acredito sim, num silêncio comedido, num silêncio minimamente respeitoso.

Este silêncio em nada traz uma insignificância.

Primeiro, porque não sei fazê-lo.
Segundo, porque não quero insignificar alguém.

Dentro do silêncio espero floriar o espaço, Prysmaverá a vida!


Pryscilla Carvalho - ploriflorando-me!!



Os ombros suportam o mundo



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. 
Ficastes sozinho, a luz apagou-se, 
mas nas sombras teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação. 

Carlos Drummond de Andrade

Receita para madrugar




Tire do bar um quarto 
daquele licor...
Remova da mesa os utensílios 
que não combinam com uma noite
longa...
Embriague-se entre letras e ideias!!



Pryscilla Carvalho - trabalhar, estudar e não desesperar!


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014



Exceto as partes da vovó e do padastro...
minha vovó ainda está aqui e padastro,
nunca tive nada parecido...